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Projeto visa cuidar da voz de professores da rede municipal

Devido ao uso excessivo no local de trabalho, educadores podem ter complicações nas cordas vocais. Projeto aprovado na Câmara visa conscientizar e prevenir

BÁRBARA BENETTI/ASSESSORIA CÂMARA PB

26 de junho de 2020

Foto: Unsplash

Radialistas, cantores, dubladores e professores… o que essas profissões têm em comum? A voz. Ela é o principal meio para a realização de cada uma dessas tarefas. Por isso, a voz necessita de cuidados, senão casos como o do cantor Zezé Di Camargo, que teve cistos nas cordas vocais, podem ocorrer. Nas escolas, onde muitas vezes é necessário gritar para se fazer ouvir, o problema é mais comum do que se imagina. Agora, um projeto de lei aprovado pelo Legislativo visa minimizá-lo.

De autoria dos vereadores Altino Júnior e Silvana Stadler, ambos do PL, o Projeto de Lei nº 24/2020 dispõe sobre a criação de um programa municipal para prevenir problemas vocais em professores da rede municipal de ensino. O PL foi votado na sessão desta segunda-feira (22) e segue para sanção do prefeito Emerson Stein (MDB). Se virar lei, será possível garantir a assistência preventiva, com a realização de ao menos um curso anual que conscientize os educadores sobre o problema e os cuidados que devem ter com suas vozes. Apesar do PL visar a precaução, ele garante ao professor o pleno acesso a tratamento fonoaudiológico e médico, caso alguma complicação apareça.

A professora do curso de fonoaudiologia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Elisa Gugelmin Distéfano, conta que a patologia mais comum é a disfonia, que nada mais é do que alterações na voz pelo uso inadequado. Constantemente, professores têm que elevar seu tom de voz em salas de aula lotadas com alunos impacientes. Isso, por um longo período de tempo, pode ser extremamente prejudicial, devido à sobrecarga.

A professora de geografia Nilceleia Kohl, agora responsável pela gestão dos programas federais na Secretaria Municipal de Educação, foi afastada das salas de aula justamente por problemas em sua voz. Ela começou a perceber que ficava rouca com grande facilidade em 2011 e decidiu, através de um concurso público, virar coordenadora pedagógica em uma escola de Bombinhas. Mesmo assim, sentia dificuldades quando precisava substituir algum professor em sala. Quando retornou para Porto Belo, ainda na escola Olinda Peixoto, em 2012, começou a perceber gosto de sangue em sua boca.

Diagnosticada com disfonia crônica, o exame médico mostrou um nódulo e um granuloma na prega vocal direita. A indicação era o afastamento. Léia, como é conhecida pelos amigos, teve problemas em aceitar a situação, já que tem paixão por dar aula: “Eu me desesperei, doeu muito, eu chorei muito, até hoje sinto falta […]. Gosto muito do que faço agora, mas meus alunos não estão comigo […]. Eu queria estar com eles, passar para eles o que eu aprendi”, lamenta.

CUIDADOS

Léia nunca havia ouvido falar sobre problemas vocais decorrentes do uso demasiado da voz, nem mesmo durante sua graduação na universidade. Isso aponta a necessidade da disseminação desse assunto a classes que utilizam a voz como instrumento de trabalho. Segundo Elisa, a importância de cursos nessa área é extrema: “Seria muito importante que todos os professores tivessem um treinamento para saberem o que eles podem fazer. Que eles saibam utilizar alguns exercícios para aquecimento e desaquecimento vocal. Se todo professor soubesse de alguns exercícios básicos… Isso seria o ideal, que o professor tivesse realmente essas oficinas locais”.

A professora de fonoaudiologia aponta que algumas ações preventivas são o uso constante de água – tomar pequenos goles durante a aula – tentar não respirar o pó de giz quando apagar o quadro, dando preferência à utilização de um pano úmido para a realização dessa tarefa e uma alimentação adequada. Elisa explica que, antes de ministrar a aula, alguns alimentos gordurosos, como frituras, não são indicados, pois comprometem a livre movimentação do diafragma, assim como o uso de roupas apertadas. Outros alimentos, como chocolates e derivados de leite, também não fazem bem se ingeridos no período que antecede a aula: podem gerar uma mucosa excessiva, o que acarreta maior esforço na hora de falar. Para ela, o ideal nesse momento de trabalho são as frutas, principalmente a maçã, que tem propriedades adstringentes, ajudando na limpeza do trato vocal.

Além disso, alternativas para chamar a atenção dos alunos são interessantes. Elisa indica que o educador use chocalhos, apitos ou até o bater de palmas para diminuir o uso intenso da voz.

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